O que vemos, quem nos olha

Tomando como ponto de partida a coleção de diapositivos presente no arquivo do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos, esse trabalho propõe incidir numa determinada narrativa de memória nacional embasada na distinção, enquanto patrimônio, de uma série de edifícios e de bens artísticos e móveis coloniais. São esses bens, presentes em cidades coloniais mineiras, que aparecem
na maior parte das fotografias existentes nesse arquivo, produzidas entre as décadas de 1950 e 1980, mas especialmente entre os anos de 1954 e 1954, sob a supervisão de Sylvio de Vasconcellos, que ocupava então o cargo que hoje conhecemos como Superintendente do IPHAN em Minas Gerais. Com essas imagens, lançamos luzes sobre práticas urbanas e hábitos cotidianos que aparecem nos diapositivos como “interferências” no registro técnico dos edifícios, mas que, argumentamos, emergem no tempo presente como rasgaduras (Didi-Huberman), ruídos ou desvios, que nos atentam para a memória social ali construída nos gestos, nos olhares e nas pessoas.

Belo Horizonte, 2019