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Cidade, Técnica, Cotidiano: Trajetórias de Lina Bo Bardi e Aracy Esteve Gomes em Salvador (1950-1970)

Este artigo investiga relações entre cidade, técnica e cotidiano segundo fragmentos que recompõem as trajetórias da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992) e da fotógrafa amadora Aracy Esteve Gomes (1923) em Salvador, Bahia, no período entre 1950 e 1970. Utilizamos como fontes cartas, fotografias, recortes de jornal e outros documentos oriundos de arquivos institucionais e do arquivo pessoal de Aracy. As evidências históricas encontradas sugerem a presença de uma dimensão técnica e de uma temática de cotidiano nas práticas de cidade empreendidas pelas duas mulheres. Ao inserir esses fragmentos numa constelação de acontecimentos, desconfiamos que a singularidade da relação dessas mulheres com o aparato técnico e com o cotidiano se dissolve num debate em torno de industrialização, modernização e desenvolvimentismo, situando-as como parte de uma construção social e simbólica mais ampla. Ao mesmo tempo, sobrevivem enquanto raridades (Veyne 1998) uma determinada noção de popular e uma certa dimensão de domesticidade que são definidores na constituição desses sujeitos em relação com a cidade e que são também aspectos caros a esse momento histórico.

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autoria: Junia Cambraia Mortimer
2019