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Pensar por imagens: Do interior do retrato ao retrato do exterior ou diante das fotografias de Aracy Esteve (Bahia 1950-1965)

Em primeiro plano (Figura 1), um menino abre os braços e segura com as mãos as pontas de um papagaio. Sua envergadura coincide com a do objeto e, entre o arco dos braços e aquele da estrutura voadora, seu rosto permanece hesitante entre suspender a brincadeira e posar para a fotografia. Ao fundo, dois símbolos arquitetônicos nos localizam geográfica e historicamente: o Farol da Barra, à esquerda, e o edifício Oceania, em frente, nos convocam até uma Salvador de meados do século XX. No alto da colina de onde a foto foi tirada, há uma estátua de Cristo, a qual não vemos na imagem. No seu lugar, temos a figura do menino. Os mesmos braços abertos. Mas se na imagem religiosa estaria a morte, na criança da fotografia está um movimento de voo. Mas um movimento suspenso na brincadeira interrompida pela rigidez da pose. Esse resíduo de voo desestabiliza a imagem: há sol, há mar, há uma cidade inteira em franco processo de modernização, mas, nos punhos cerrados e no cenho levemente franzido da criança, algo resta suspenso.

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autoria: Junia Cambraia Mortimer
ISBN: 978-85-232-1687-0
2018